Família de fotógrafo tenta, mas não consegue doar órgãos

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Um ato que poderia servir de acalento em um momento de dor acabou em frustração para a família do fotógrafo Tiago Brandão, 37, que morreu na última segunda-feira, 6. Atendendo um desejo da vítima, seus familiares autorizaram a doação dos órgãos, mas a surpresa veio quando a Santa Casa de Franca informou que as córneas – órgão que poderia ser doado – não poderiam ser retiradas por causa do horário de atendimento do Banco de Olhos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, que passa por readequação e atualmente não funciona no período noturno. Como o acidente que terminou com a morte de Tiago aconteceu às 17h30, os órgãos teriam que ser doados durante a noite. Não teve como.“Desde o início reforçamos o desejo de que fossem doados todos os órgãos possíveis do meu irmão. Era uma vontade nossa poder ajudar alguém que precisava. Devido às circunstâncias da morte, apenas as córneas poderiam ser doadas, mas nem isso foi possível e realmente causa uma revolta grande”, disse um dos irmãos do fotógrafo, Rafael Brandão Alves Silva, 30. “Hoje meu irmão está enterrado e não pode mais ter as córneas doadas e ajudar alguém. Mas e quando a próxima pessoa que for doar, será igual? Quantas doações serão perdidas?”, desabafou.

Segundo informações da Comissão de Transplantes da Santa Casa de Franca, o Banco de Olhos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto passa temporariamente por readequações, o que teria influenciado na recepção das córneas devido ao horário de atendimento disponibilizado por eles.“É engraçado como realizam campanhas o tempo todo para doação de órgãos e quando acontece não é possível doar, mesmo sendo desejo da família. Ficamos inconformados que em um momento de dor imensa ainda precisamos sofrer com mais isso”, completou Rafael Brandão.

Procurado, o Banco de Olhos confirmou que “há cerca de 2 meses e meio, em vista do pedido de demissão, no mesmo período, de alguns funcionários, passou a contar apenas com uma funcionária para captação de córneas. Assim, até que o Hospital tivesse condições de proceder um estudo detalhado objetivando reorganizar o Banco de Olhos, não tivemos outra alternativa a não ser restringir as atividades daquela área, passando o atendimento a ocorrer de segunda à sexta-feira, das 7h às 16 horas, situação essa que foi comunicada à Central Regional de Transplantes do Estado”. A expectativa do departamento é que as atividades normais sejam retomadas em até 40 dias. Falha na comunicaçãoEm nota, a Central de Transplantes do Estado de São Paulo informou que não recebeu nenhuma solicitação para captação de córneas referente ao caso. “Há uma Central Regional à disposição dos serviços para auxiliar na definição de serviços de referência quando houver doador viável, até que o Banco de Olhos do HC de Ribeirão conclua as adequações em curso.”Questionada sobre a alternativa de contatar a Central Regional em busca de uma alternativa para que a doação acontecesse, mesmo que não fosse em Ribeirão Preto, a Santa Casa de Franca não retornou o contato até a noite de sexta-feira.

Neste sábado, 11, pela manhã, o hospital respondeu. “Diante da intercorrência registrada, a Central Regional de Transplantes de Ribeirão Preto já viabilizou e orientou que, neste período de impossibilidade de recebimento do tecido pelo Banco de Olhos de Ribeirão Preto (justificado pela reestruturação e adequação do seu processo de trabalho), as córneas captadas na Santa Casa de Franca devem ser encaminhadas para o Banco de Olhos do Hospital de Base de São José do Rio Preto. Tal conduta será mantida até que o Banco de Olhos retorne com o seu atendimento normal.”

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